Mãe

Data 06/mai/2005

A mãe de satã
que devia ser alguma leviatã.
A mãe de David
que não imaginaria
ter um filho assim.
A mãe de Golias
que decerto sabia
daquela sua mania.
A mãe de Jesus
que por certo
pressentia a cruz
mas que também decerto
não imaginaria
ser tamanha a via crucis.
A mães de João Batista
que morreria de desgosto
se viesse a saber
de um filho tão canhoto
capaz de viver de brisa
e gafanhoto.
A mãe Menininha do Gantoá
que Caymmi tornou imortal.
A mãe dona Canô
que nos deu Bethânia
e Caetano Veloso.
A mãe de Pedro e de Paulo
que reiluminaram este espetáculo.
A mãe de Zumbi
cujo grito de guerra
acordou-nos o sangue
tupi-guarani.
As mães violentadas
por seus maridos
ou por toda ordem de desordem.
As mães nos manicômios
cujas velhices degeneradas
são incômodos.
As mães que por vários motivos
choram por seus filhos.
As mães por cujos filhos
bandidos foram desdenhadas.
As mães tão-somente
Cama, mesa e roupa
bem limpa e passada.
As mães muitas
Cujos filhos se criam nas ruas
E que as vêm como prostitutas.
A santa mãe imaculada
de cada um de nós.
A Mãe-Terra de todos
que nos dá, nos reacolhe
e nos devolve,
prediletos rebentos
que eternamente a realimentam.

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