Sucessídio

Sucessídio
Data 23/nov/2004

     Lera e ouvira. Mais ouvira do que lera que muitos dos “impérios” empresariais ou financeiros vieram do nada. No princípio, eram simples atividades com que o cara defendia a vida sua e da família com dificuldade. Mas determinação, empenho, organização, economia e modestos e progressivos investimentos.
Uns poucos exemplares do mito do trabalho dedicado como gerador de riqueza cumulativa e transformadora. A irreversível impulsão capitalista. Ampliar. Aprimorar. Atualizar. Se não, sucumbir. Que atrás vem gente!
Coisa da lei de mercado. Ser ou ser. Nada que não seja bens de capital é a solução. Nada resolve. Amor ou ódio; consternação ou piedade. O capital não é provido de neurônios afeitos a captar sensações dessa natureza.
Todavia, tem-se nesse tipo de empreendimento o desenvolvimentismo plausível. Que enaltece seus precursores e os que prosseguem mantendo-se na mesma linha de conduta, primando pelos ideais filosófico-capitalistas dos que tudo começaram. Crescer com dignidade. Enriquecer-se pelo trabalho incansável. Auferir o lucro honesto. Advindo de operações e transações financeiras limpas, claras, aprovadas e consagradas pelas leis do mercado. Dar aos trabalhadores, aos operários da empresa toda a assistência e tratamento que os fizessem sentir-se seguros, confortados, satisfeitos em sua condição de indivíduo bem empregado, com salário condizente e compatível.
Tratava-se de algo que dentre outras coisas dava tranqüilidade. Paz de consciência. E sensação de engrandecimento. Principalmente ao se levar em conta o que vinha sendo exposto cada vez mais e sem término com o advento e estabilização do sistema democrático de governo.
Progressivos casos de altos negócios transacionados em ilicitudes inquestionáveis. Manipulações escusas de dinheiro e bens públicos em favorecimentos particulares, gerando enriquecimentos rápidos onde a ausência de trabalho é a maior evidência. Instituições financeiras com seus lucros vertiginosos expandindo seus domínios. Ou tendo socorro governamental aos seus fracassos operacionais.
Assim vistos e comparados, os resultados de seus sãos negócios eram exitosos. O que lhe dava a convicção de empresário justo e contributivo.
Então, não tinha dúvida: a estupefação extrapolaria o terreno de âmbito familiar. Ganharia várias outras esferas sociais. Que não quererão admitir que um empresário de sua envergadura tivesse motivos para tal loucura. Sucessos. Negócios em expansão com êxitos evidentes. Filhos saudáveis e de bons hábitos e procedimentos. Não havia o mínimo rumor de quaisquer situações que desabonassem quem fosse. Empresa com suas contas em dia. Os salários de seus empregados. Finar-se assim um cidadão desse como um Getúlio Vargas sem nenhuma das razões daquele?
Amargurava-o que fosse assim acontecer. Todavia, sabia muito bem que tudo também acabaria assim se esgotando, pois que a causa daquele seu ato teria ido com ele.

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