A casa

A casa
Data 23/out/1998

A casa é a extensão do homem. Não há lugar melhor no mundo. É o seu território livre. Nela estando, fica dependurado todo um estado de ser lá fora. A casa é a sua ilha. Em tudo dela está ele. A despensa com suas provisões. A cozinha onde o fogão, onde o refrigerador, a mesa, o armário; onde postas as cadeiras. Em tudo ele é. A sala de estar. O lugar do telefone, do televisor, do som. A específica forma de ser dos aposentos. Do banheiro.Há muito que está em antigo adágio popular: quem casa quer casa.. Mesmo sendo a contemporaneidade uma época em que a mulher dela se ausenta em grande parte do dia, a casa marca-a . Dela é a casa. Ocupa-a por direito, sendo dela a sua dona. E com ela a relação extrapola em muito a mera condição de posse. Rege-a . Dota-a com seus arranjos, adornos, não importa com que móvel, da condição de lar. É, sim, a senhora dali, por mínimo ainda que seja, ao fazer da casa uma serviçal do lar. Nela se evola. A casa trescala a lavanda da sua dona. Empregna-se de sua dádiva e sensualidade. Um aroma de mãe e mulher.

A decoração tem a sua cara. Indicia sua posição ante a vida, sua ideologia. Nela, ele se entremostra já da fachada. A casa é todo ele e sua guarda.

Sendo ela o lugar da família, pode-se admitir que ali se aprende o indivíduo e o coletivo. A casa é então uma ilha-condomínio. É um dever/direito de cada um dos pais e filhos. Mas deles um lugar comum. Dá-se nela em contínuo o educar-se para o indivíduo e o educar-se para o coletivo.

Em casa alheia, por mais que lhe ensejem comodidade, o homem se sente intruso e exposto à intrusão. Se recolhe. Se encolhe. Estranha e se sente estranhado.

Sem casa o homem é um nômade. Em casa é completitude. Fora, se sente como um alguém a quem lhe falta. A casa é o eterno lugar de retorno. Perambula-se, viaja-se, todavia a casa torna-se. A casa é conchego, arreglo. Lugar de refazimento.

Casa é um homem e uma mulher com seus filhos e bichos.

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